Dark Nights: Metal # 1, Review (with spoilers)

It all starts here: DC Comics event Dark Nights: Metal, by the creative team of Scott Snyder and Greg Capullo. It's supposed to be an epic, multiversal roller-coaster ride filled with awe-inspiring moments.  In June and July we were treated with not one but two prologues, Dark Night: The Forge and Dark Night: The Casting, that put all the pieces on the table – or so we thought. The mythology was laid bare to prepare us for what was coming. However, what the authors gave us in this first issue was an even bigger canvas where we will be amazed and entertained in.

(from here on out there will be spoilers)

Let me say one thing before continuing: I’m a big fan of comics in general, super-heroes in particular and DC Comics is my favorite universe of this subgenre. I love the archetypical nuances of its characters and the religion-like cosmology that seems to tie all its stories together. Conscious or unconsciously, some of the storytellers that worked for this company in the past three decades want every single issue of its 75-year-plus history to count for the tapestry that is the DC multiverse. One of the biggest names is, of course, Grant Morrison, but also Geoff Johns, Mark Waid, et al. All of them tried, for lack of a better term, to tie everything together. Now you can add another author: Scott Snyder. He goes into full cosmology mode and it’s a wondrous sight to behold.

I love it when super-heroes go cosmic. Don’t get me wrong, I want to read Batman and Daredevil as much as the next guy, the street-level story, but when these characters travel to the end of time, battle impossibly-dark-and-evil-Gods and unravel reality, that’s when I love them the most. That’s why Morrison’s JLA is one of my all-time favorites. Speaking of the mad Scottish writer, he is one of the Snyder's spiritual gurus. He gets a lot of love in this first issue. Be it the Multiversity Map or the reference to Batman’s travel to the far past at the end of Final Crisis, Snyder references these cosmic stories in big and revealing ways. Hawkman’s lore is also a huge part of what it’s trying to be achieved here – don’t forget that this comic is called Metal and one the most important parts of it is the Nth Metal

It’s, of course, still too early to judge the story's quality. We’re at the beginning, but one thing is certain: this is not for the initiated in DC mythology. You have to be knee-deep into a lot of the cosmology minutiae that is part and parcel to this universe (or multiverse, if you want to be accurate). That is, of course, part of its charm but it will, for those less adventurous, be a strenuous read. Think of it like I did when I was on my early teens and read Crisis on Infinite Earths: marvel at the colorful menagerie of characters and geographies that populate the page; absorb every detail with child-like awe; maybe if you drop the adult-vision you’ll be rewarded.

Finally, that last page (huge spoiler ahead). Super-heroes comics revel in the use of surprise endings. Metal has a doozy of an ending, similar to last-year’s DC Rebirth Special: Neil Gaiman’s Sandman pays a visit to Batman – the Daniel version, not Morpheus. It is very similar to adding Alan Moore’s Watchmen to the regular DC multiverse (on the above mentioned DC Rebirth) but not as radical, though some people seem to think so. Don't get me wrong, it’s a huge thing and if done right adds gravitas to the story (I’ll judge its quality in the end). But, if you were paying attention to Grant Morrison’s Multiversity Map, you’ll find that the Endless and Sandman were already an integral part of DC’s cosmogony. Furthermore, Daniel was also used in Morrison’s JLA. So, there’s that.

Scott Snyder and Greg Capullo promised us a grand ride. If the following chapters are to be judged by this one, we’re in for one. So, please, fasten your seat belts. 

Música à Quarta!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


Never Too Soon de Boo Seeka - 2017 (Indie Pop)
Inner Ocean de Jonathan Yandel - 2017 (Downtempo)
Connecting The Dots EP de Conro - 2017 (Electronica)
Basement Seance de Dirty Art Club - 2017 (Trip-Hop)
At Ease de Livigesh - 2017 (Downtempo)
Middle Classe Dreamers de Lyone - 2017 (Trip-Hop)
Glamour Child de Moonrise Nation - 2017 (Indie Pop)
Happiness de Polished Chrome - 2017 (Downtempo)

Atomic Blonde de David Leitch

A mudança de nome do material-fonte em que este filme é baseado é apropriada.  O nome da Banda Desenhada original, Coldest City, da autoria de Antony Johnston e Sam Hart, é alterado para Atomic Blonde, para claramente aludir à personagem principal interpretada por Charlize Theron. Este filme não seria o que é sem esta actriz no papel principal. 

Theron é o filme. O empenho com que se entrega não só às cenas de acção mas à construção da personagem faz o filme e torna-o suportável. Logo na primeira cena em que aparece, somos presenteados com a sua intensidade: as feridas que abundam no rosto e no corpo, disfarçando a sua beleza; o corpo nu violentado pelo trabalho de espia; a dor e manchas negras escondidas por roupa de designer. Theron deita fora a beleza e substitui-a pela brutalidade  desta vida dita glamorosa. Ela é o anti-James Bond não só em género como também nas consequências da violência, que não é bonita de se ver. 

Esta entrega é mais notória na melhor cena de todo o filme, um impressionante plano sequência que vale não tanto pela técnica (que não é nova ou novidade), mas pela conjugação desta com o trabalho físico da actriz. A luta, enquanto desce vários lances de escada e que depois segue para a rua, é crua e sanguinária. Coreografada sem se fazer notar.

Infelizmente, os elogios que posso fazer a este filme acabam por aqui. A história é redundante, sem complexidade e demasiado ocupada com twists para se fazer entender. A realização, excepto pelo plano sequência, é pouco inspirada e muito preocupada em fazer pequenos videoclips de êxitos musicais da década de 80 (o filme passa-se em Berlin de 1989, aquando da queda do muro de Berlim). Esses êxitos são bons de ouvir, sem dúvida, mas um filme é mais do que isso e, neste caso, seguem-se sem ligação às cenas e com pouca mais intenção do que despertar algum saudosismo. Compare-se com Baby Driver, outro filme de acção com muita música, em que esta é parte integrante da história e nunca se sobrepõe à "legibilidade" das cenas.

Um filme que vale a pena ver pela imponente presença de Charlize Theron. Mas muito pouco mais.

Álbuns para Sempre, 32

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a The Weeknd e ao LP House of Baloons.




Guerra dos Tronos: com 10 minutos assim...


Como seria de esperar para quem lê este Blog, a probabilidade de eu ser fã da série de TV Guerra dos Tronos era elevada. Para que as minhas credenciais geek fiquem totalmente carimbadas, fui primeiro fã dos livros. Já sabia da existência d'As Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin antes da publicação, em 2007, do primeiro volume pela Saída de Emergência, mas foi com esta editora que comecei a devorá-los (leiam aqui o que escrevi à altura, com ainda menos qualidade de escrita e um gosto imberbe pela obra).

Sou daqueles que preferia que Martin tivesse acabado esta obra e não estivesse a "lê-la" na série de TV. Contudo, com a qualidade que tem demonstrado, é uma irritação mínima (mas não totalmente apagada). Mas imaginem como se sentem os que começaram a ler as aventuras de Tyrion, Daenerys, Jon Snow, etc., quando o escritor publicou o primeiro volume da saga em 1996. Vinte anos depois ainda não sabem do fim da história e vão descobri-lo numa série de TV.

Sim, o episódio quatro da sétima temporada, agora em exibição, foi maravilhoso e empolgante. Principalmente os últimos dez minutos, os da batalha entre as forças (a partir de agora há spoilers, portanto, fujam os que ainda não viram o episódio) de Daenerys e de Jamie/Cersei Lannister. Dez minutos em que era impossível não estar sentado na beira do sofá enquanto o coração batia a mil, preocupado com o destino das muitas personagens que aprendemos a adorar ao longo destes anos todos. Um verdadeiro testamento à qualidade da escrita de Martin e dos que fazem a série de TV.

Houve o glorioso uso de Drogon, o gigantesco dragão de Daenerys, cuja chama incandescente varria o exército de Jaime Lannister. Houve a batalha sangrenta e incrivelmente violenta, como raramente aparece no Cinema e muito menos na TV. Houve a pirotecnia e o soberbo uso de efeitos especiais. Mas houve muito mais que isso e finalmente chego ao que vos quero dizer.

A cena começa nos diferentes diálogos de Jaime e Bronn com outros personagens mas principalmente com o jovem cavaleiro Dickon. A troca de palavras centra-se no facto da guerra não ter nada de glorioso, ao contrário do que professam os contos de cavalaria e a gabarolice dos cavaleiros (tema recorrente em George Martin). Falam do facto de Dickon ter morto ou visto morrer companheiros de caçada, outra característica inglória e desonrosa da guerra e da luta pelo poder. Estas afirmações sublinham a ideia de ausência de maniqueísmo simplista na narrativa de Martin, onde existem pessoas completas e ambivalentes em ambos os lados. A conversa funciona como prelúdio ao que se seguiria.

O escritor (ou escritores) tem realizado um extraordinário trabalho para que leitores e telespectadores estivessem preparados para empatizar com os dois lados desta batalha. Podemos roer as unhas em cada momento, num duelo esperança/receio de que alguém sairia morto no final (não esquecer que Martin tem feito gala de que "nenhuma personagem está a salvo", aumentando o nosso nível de ansiedade). Por um lado, queremos que Daenerys vença, que Drogon faça terra queimada do campo de batalha, mas por outro não queremos que Jaime ou Bronn sejam sacrificados (nem o dragão, já agora, que esteve perto de morrer).

O rosto e olhar de Tyrion são um espelho desta realidade. Preocupa-se ao mesmo tempo com o irmão e com Daenerys. Esse olhar espelhava a dicotomia que sentia ao ver uma batalha terrivelmente sangrenta. Pessoas calcinadas e nada mais que cinzas sopradas pelo vento. Violência desmedida. Não há glória ou honra nas batalhas e na guerra. Só nos contos delas. Guerra é inevitável. Honra e Glória é apenas para os que a tentam vender aos desgraçados que dão o corpo por ela. 

Jaime, por seu lado, prova que evoluiu como pessoa desde o primeiro episódio. Não abandona a batalha e quase (?) que dá a vida pela vitória e pelos companheiros de batalha. Faz lembrar o comentário da Diana (a Mulher-Maravilha) aos generais ingleses da 1.ª Guerra: que os verdadeiros generais estão junto com os seus soldados e não refugiados na distância e conforto das salas de mapas.

Dez brilhantes minutos que gritam bem alto pela qualidade da escrita, pela realização, pela alma e pelo planeamento desta obra. Aplausos de pé!

Dylon Dog, Mater Morbi de Massimo Carnevale e Roberto Recchioni na Colecção Novelas Gráficas III da Levoir/Público



Esta semana a Levoir e o jornal Público apresentam em estreia nacional Dylan Dog, o popular detective do sobrenatural criado pelo Tiziano Sclavi em 1986 para a Editora italiana Sergio Bonelli, e que, mais de trinta anos depois da sua estreia, se mantém como um verdadeiro fenómeno de culto, que aliou o sucesso do público à aclamação da crítica e mesmo de intelectuais conhecidos como Umberto Eco, que declarou:  “Posso ler a Bíblia, Homero e Dylan Dog dias e dias sem me aborrecer”.

Não, não é exagero de Umberto Eco. Dylan Dog é tão interessante quanto os clássicos, lá encontramos referências não gratuitas à literatura, aos clássicos, à música, que vão desde o pop ao cinema de autor, temos filosofia, crítica social, religião, reflexões acerca da humanidade, uma enorme mistura tratada com muito bom humor, inteligência e um cinismo ácido e mordaz.

Massimo Carnevale e Roberto Recchioni são os autores da obra apresentada esta semana, Dylan Dog: Mater Morbi. Nomes grandes dos fumetti italianos, o argumentista Recchionie o desenhador Massimo Carnevale criaram uma história em que o conhecido detective Dylan Dog, hipocondríaco confesso, enfrenta o seu medo mais profundo: a deterioração do próprio corpo devido a uma doença desconhecida e talvez até incurável. Uma doença que o levará às profundezas de um mundo onírico e aterrorizador, onde encontrará... Mater Morbi!

Prémio de melhor novela gráfica de terror pelos prestigiados The Ghastly Award 2016, Dylan Dog: Mater Morbi é uma reflexão carregada de crueza sobre os efeitos que uma doença grave tem no ser humano, sobre o medo irracional dos hospitais e da perda de saúde, o terror provocado pela aproximação da morte, a atitude com que cada pessoa enfrenta a sua doença e com ela convive.

Dylan Dog: Mater Morbi é um presente para os amantes de comic de terror. Com prefácio de João Miguel Lameiras, capa dura e 120 páginas no formato 170x257 mm é um objecto de culto de aquisição imprescindível para os fanáticos de Dylan Dog. Uma obra para guardar e recordar.




Baby Driver de Edgar Wright

É difícil construir um blockbuster pessoal mas existem realizadores que o conseguem. Christopher Nolan é um deles - ainda que este seu último, Dunkirk, deixasse algo a desejar. Michael Bay não possui tanto um toque pessoal mas uma inflexão para imagens e movimentos que são muito seus - e já apelidados de BayhemEdgar Wright faz parte do grupo do primeiro realizador e, quer gostemos ou não, Baby Driver está a ser um sucesso.

Um filme favorito pessoal foi feito por Wright, Scott Pilgrim, cheio de energia cinética que não só espelhava a BD mas também as intenções do realizador. Contudo, reconheço que dos seus anteriores filmes mais nenhum conseguiu despertar o meu interesse para lá de uma recordação agradável (Shaun of the Dead, Hot Fuzz, The World's End). Felizmente, Baby Driver faz parte do mesmo grupo de Scott Pilgrim.

O conteúdo de Baby Driver é banal. Um jovem casal apaixonado. Um grupo de assaltantes sempre em processo de executar o próximo golpe. O jovem protagonista, mestre em condução, capaz de fugas vertiginosas in extremis, com uma característica peculiar: devido a um acidente quando criança, ouve constantemente um zumbido que é apenas apaziguado pelos headphones sempre ligados e a ouvir música do seu iPod. É nesta última premissa e no aproveitamento que Wright faz da mesma que o filme consegue toda a alma e originalidade. Os primeiros dois terços de Baby Driver não são tanto sobre as capacidades automobilísticas de Baby (o nome do protagonista) mas sobre o amor da personagem e do realizador por música. Um e outro deliciam-se na sincronicidade do movimento (um com o mundo, o outro com a narrativa), na banda-sonorização da vida. O que aparece por necessidade transforma-se na essência do filme e da obra. Movimentos de câmara e personagens, momentos -chave, são orquestrados de forma perfeita, umas vezes discreta, outras declaradamente, ao sabor e bater da música. Cada canção é escolhida com o cuidado de artesão preocupado com a excelência do produto final.

O ambiente lembra uma actualização dos décors e vestuários da década de 50, com o protagonista a emular versões jovens dos heróis dessa época. O cabelo. Os óculos. A simplicidade da t-shirt branca evoca Marlon Brando ou James Dean. A jovem namorada, empregada num diner de estrada é também um lembrete dessa época - como é sublinhado por alguma cenas a preto e branco. Existe cuidado com o legado do imaginário cinematográfico, que Wright agarra e faz seu. 

Testamento à qualidade deste realizador é o rol de excelentes actores que dão a cara por trabalho "secundário": Kevin Spacey; Jon Hamm; Jamie Fox. A todos é dada carne para mastigar e todos fazem o melhor que sabem (excepto por Bella Thorne que, infelizmente, pouco mais é dado para fazer do que ser eye-candy e interesse amoroso).

É apenas no terceiro acto, o da resolução, que a narrativa falha, invertendo para uma normalidade que nada tem a ver com os dois anteriores. O filme inflecte para uma mera perseguição e luta que oferece pouca originalidade e, pior, diálogos minimalistas. Wright tenta fazer algo épico mas falha ao comparar-se consigo mesmo. Ainda assim, não é suficiente para apagar os dois terços que o precederam e Baby Driver é um dos mais gratificantes filmes da silly season

Música à Quarta!



Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


Account of Friend and Foe de Among Savages - 2017 (Indie Pop)
Wicked Fever de JONAH - 2017 (Indie Pop)
America de Juanita Stein - 2017 (Indie Folk)
More Than You Know de Axwell / Ingrosso - 2017 (Electronica)
A Black Mile To The Surface de Manchester Orchestra - 2017 (Indie Rock)
Oracle de Mayra Orchestra - 2017 (Dreampop)
Plastic Soul de Mondo Cozmo - 2017 (Indie Rock)
How Are You de Mounika. - 2017 (Trip-Hop)
One of Us de Mystery Skulls - 2017 (Electronic)
Reborn de Nite - 2017 (Synthpop)
Oh, Sealand de Oddfellow's Casino - 2017 (Indie Folk)
Blueprints de Redeyes - 2017 (Drum and Bass)
Foreign Light de Toddla T - 2017 (Electronica)
Human de Turtle - 2017 (Indietronic)

Swamp Thing, Darker Genesis de Mark Millar, Phil Hester e outros

A década de 80 na BD dos EUA foi um ponto de viragem nessa arte. Um dos momentos zero que assinalou essa viragem foi o trabalho dos ingleses Alan Moore e Stephen Bissete numa personagem moribunda da DC Comics: o Swamp Thing - Monstro do Pântano em português. Para não arriscar substancialmente, a editora de BD deu carta branca aos dois autores para trabalharem nesta personagem pouco conhecida e marginal. Apesar das credenciais e criticas favoráveis de obras produzidas do outro lado do oceano (Miracleman), a DC não estava ainda disposta a dar o proverbial tudo por tudo. Depressa corrigiriam esse rumo, após Moore e Bissete provarem, com a lendária sequência de histórias no Swamp Thing, do que eram capazes. Não só marcaram indelevelmente a 9.ª Arte como uma personagem que ficaria para sempre associada à qualidade do seu trabalho (na Marvel o mesmo aconteceu, por exemplo, com o Demolidor de Frank Miller).

Após a saída de Moore (que deixou o Monstro do Pântano depois de Bissete, este sendo substituído por Rick Veitch), muitos foram os que, até hoje, o seguiram nesta personagem e todos, de uma forma ou de outra, não conseguiram sair da sua sombra ou influência, num misto de homenagem e medo. Recentemente, a DC tem revisitado em formato de Trade Paperback algumas sequências de histórias de margem das décadas de 80 e 90 e, desta vez, coube ao Monstro do Pântano de Mark Millar e Phil Hester. Começaram com The Root of All Evil e continuam com este Darker Genesis.

Este volume colecciona um arco onde a personagem titular vê-se envolvido com um estranho assassinato invertido, onde as primeiras cenas da história são de uma mulher a ser reavivada, como num filme visto em rewind. Essa mulher é uma escritora frustrada que não pode abandonar o mundo dos vivos enquanto não completar a sua obra máxima, uma colecção de histórias fantásticas às quais, segundo, ela, falta um elemento essencial: o próprio Monstro do Pântano. Para apaziguar a alma da jovem, a personagem titular encetará várias viagens por mundos paralelos para ajudar a finalizar os enredos das histórias: visita a Terra-3 da DC Comics, onde tudo é ao contrário e o Super-Homem e o Batman são vilões - mas não aparecem, o foco é outro; uma terra onde os nazis venceram a 2.ª Guerra Mundial; outra onde um herói idoso enfrenta um outro tipo de monstro do pântano; etc. Os vários enredos, aparentemente desconexos, confluem para uma macro história que é-nos revelada no final.

O trabalho de Millar ainda não era particularmente conhecido nesta altura e é também um dos mais fortes na sua carreira. Hoje em dia, o autor escocês dirige os seus esforços para histórias ao estilo de uma Grande Ideia, desenhando obras muito direccionadas para a adaptação pelo Cinema. Aqui é mais focado, controlado e pessoal, notando-se já a apetência para essas Grandes Ideias, mas temperada, acabando por construir um verdadeiro page-turner cheio de conceitos e execução interessantes. Faz-se acompanhar por desenhadores também em início de carreira e que, hoje, são nomes mais ou menos relevantes da arte: Phil Hester, o principal colaborador neste Monstro do Pântano, Chris Weston, Phil Jimenez e Jill Thompson. Acabam por construir uma sólida sequência de histórias antes do próxima colecção, não só a sua última como a que junta os derradeiros capítulos da revista do Monstro do Pântano à altura, a mesma que nos deu Alan Moore nos EUA.

Álbuns para Sempre, 31

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos Simple Minds e ao LP Live - In the City of Light.