Música à Quarta! Wednesday Music!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

Every week, every day and, who knows, every hour, there's a new LP, EP or Single out. I'm not a music geek, just a listener. I choose based on style, on artists I know, on what I heard on the radio, on Spotify's algorithms, and on friends' tastes and suggestions. I know I hear only a small part of what is out there.

On this Blog, every Wednesday, I put together a list of albums I heard during last week, and post it with links to Spotify. You can find the list below. I highlight in bold the albums I liked best.

Frantz de François Ozon

François Ozon é daqueles realizadores que consegue ser profundamente francês sem perder nenhum do apelo internacional. Os seus filmes são munidos de liberalismo comportamental (Uma Nova Amiga, Jovem e Bela), de sofisticação temática e formal, sem perder a noção de espectáculo e entretenimento.  Tem também optado, nos seus últimos esforços, por narrativas onde uma ou mais personagens enveredam por mentiras e engodo (os que já citei e, por exemplo, Dentro de Casa). Não das que tentam enganar pessoas para algum ganho monetário, mas antes na busca de uma verdade pessoal ou de redenção. Este Frantz não é diferente.

No final da 1.ª Guerra Mundial, os pais e mães da Europa choram a morte dos seus filhos no conflito. Numa aldeia da Alemanha, não são só os progenitores, mas também a jovem noiva de Frantz chora e deposita flores no túmulo do noivo. Um dia, nota que um jovem francês da mesma idade sofre junto à campa. Depressa descobre tratar-se do melhor amigo de Frantz, que deslocou-se à Alemanha para dizer um último adeus ao soldado morto. Segue-se momentos cheios de emoção e de confronto. Emoção partilhada por um ente querido e confronto entre dois países que até há pouco antagonizavam-se em lados opostos de uma guerra sangrenta.

Filmado maioritariamente a preto e branco, Ozon vai entre-cortando momentos a cores, cuja saturação controla de acordo com os sentimentos das personagens. Não sendo uma técnica particularmente inovadora ou discreta, o realizador escolhe usá-la de forma parcimoniosa, o que acaba por fornecer alguma candura à narrativa. Também a escolha dos jovens protagonistas contribuiu para esse efeito, principalmente a de Paula Beer, cuja expressividade e controlo foram uma verdadeira revelação. A actriz navega por vários sentimentos, todos eles pesados para a idade, e que controla de forma aprofundada. Este é também um filme fortemente alicerçado no enredo, com voltas e reviravoltas controladas de forma segura pelo realizador e equipa. Nada parece demasiado conturbado e antes parte de uma viagem singular da jovem protagonista. Apesar de ser uma obra cujo nome é o do soldado morto, esse aparece apenas em flashbacks e é a sua morte e a influência da mesma que somos convidados a ver.

Um filme que, através de enganos e mentiras, revela o que queremos na verdade ser.

Álbuns para Sempre, 72

Existem músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. 

São nossas e dos outros. Como em nenhuma outra arte, a Música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque a ouvimos no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Nikka Costa e ao LP Everybody Got Their Something.


Deadpool 2 de David Leitch

O segundo pode ser sempre o mais difícil. Principalmente depois de um primeiro filme sensação. Deadpool foi uma das surpresas do ano de 2016, maioritariamente para quem não conhecia a personagem. Quem já a lia na BD sabia perfeitamente no que se estava a meter. A Fox estava fora de si quando deixou os autores fazerem o que quisessem num  tipo de filme que, até então, era reservado aos jovens adultos e ao entretenimento familiar: o filme de super-heróis. Ou estavam distraídos, desesperados ou as duas coisas, porque o que saiu foi super-divertido, adulto e cheio de piadas para maiores de 18. Em suma, uma lufada de ar fresco. Ryan Reynolds fazia jus à sua pretensão de fazer o Deadpool que sempre quis e que precisava de ser feito (não aquela coisa abominável que apareceu no filme do Wolverine). Deadpool 2 é mais do mesmo, com uma escala maior, mais dinheiro, alguma repetição e muitas surpresas (alguma devastadoras e outras hilariantes).

Obviamente que o que funcionava bem no anterior é repetido neste, o que acaba por desgastar o entretenimento. Contudo, graças ao carisma das personagens e principalmente ao Deadpool de Reynolds, a história segue de forma frenética e divertida, entre momentos de acção e de piadas. O humor é puxado para cima, distribuindo oneliners e zingers a torto e a direito. Ninguém escapa ileso e a DC Comics, a distinta concorrência da Marvel, é alvo de quatro piadas (uma que já conhecem dos trailers e mais umas quantas, todas deliciosas - e eu sou um maior fã da DC que da Marvel). Conseguem-se alguns momentos inusitados que funcionam no contexto da história e do estilo do filme. Um deles envolve a equipa que Deadpool reúne, a X-Force, e que consegue ser um dos mais divertidos. 

O enredo é mais sólido e convincente que o do primeiro, com um terceiro acto mais interessante, provando que conseguiram fazer melhor uso do dinheiro disponível. Regressam todos os que participaram na versão anterior:  Colossus; a fabulosa Negasonic Teenage Warhead (mas ainda assim, pouco utilizada) Morena Baccarin; etc; e são adicionados novos bonecos como Cable, Domino, Yukio e surpresas que não quero estragar. 

Para os fãs da BD, existem easter eggs espalhados amiúde: referências directas a BDs; personagens que já era altura de aparecerem no grande ecrã; uma referência deliciosa ao criador do Deadpool, Cable e Domino, Rob Liefeld; e muito mais. A cena pós-créditos é uma das mais hilariantes de toda a história do cinema de super-heróis (provavelmente a melhor, ainda que seja necessário algum conhecimento para estar dentro da piada). 

Contudo, nem tudo são rosas. O efeito novidade desaparece um pouco e, tirando alguns momentos chave, essa sensação de repetição acontece por todo o filme. Cable acaba por ser uni-dimensional, o que é uma pena, isto depois de Josh Brolin nos ter dado um maravilhoso Thanos. A acção, quando apenas isso, é, regra geral, sem virtuosismo, mas quando misturada com o humor de assinatura Deadpool, melhora significativamente. Apesar de tudo isso, é um filme entretido, divertido e que continua a ser uma lufada de ar fresco. Venham a X-Force e um terceiro Deadpool.

Música à Quarta! Wednesday Music!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

Every week, every day and, who knows, every hour, there's a new LP, EP or Single out. I'm not a music geek, just a listener. I choose based on style, on artists I know, on what I heard on the radio, on Spotify's algorithms, and on friends' tastes and suggestions. I know I hear only a small part of what is out there.

On this Blog, every Wednesday, I put together a list of albums I heard during last week, and post it with links to Spotify. You can find the list below. I highlight in bold the albums I liked best.


Stop, Look, Listen de Marta Ren & The Groovelvets - 2016 (Soul)
Good Things de Leon Bridges - 2018 (Soul)
Light Myself on Fire de Mating Ritual - 2018 (Indie Rock)
Arms Of A Dream de Reuben and the Dark - 2018 (Indie Rock)
Night Drive de Timecop1983 - 2018 (Electronica)
Pendulum de Aisha Badru - 2018 (Indie Pop)
Tranquility Base Hotel & Casino de Arctic Monkeys - 2018 (Indie Rock)
7 de Beach House - 2018 (Synth Pop)
Nothing Matters de Benjamin Lazar Davis - 2018 (Indie Folk)
Ripple Effect de Fluxion - 2018 (Electronica)
Free Yourself Up de Lake Street Dive - 2018 (Soul)
Outcast de Liz Brasher - 2018 (Indie Pop)
Miserable Miracles de Pinkshinyultrablast - 2018 (Indie Pop)
LULU de The Lulu Rues - 2018 (Indie Pop) 
Alexander Search de Alexander Search - 2017 (Indie)
Life is Shirt The Answer's Long de The Beat Escape - 2018 (Electronica)

Álbuns para Sempre, 71

Existem músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. 

São nossas e dos outros. Como em nenhuma outra arte, a Música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque a ouvimos no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos GusGus e ao LP This Is Normal.


O que vou lendo! Invincible vols 24 e 25 - The End of all Things de Robert Kirkman, Ryan Ottley e Cory Walker


Lex Luthor, o maior adversário do Super-Homem, afirma, no filme Batman v Superman, que a maior mentira nos EUA é que o poder é inocente. Estava implícito na afirmação que o capacidades divinas do Homem de Aço não podem ser usadas de forma altruísta e desinteressada, que os poderes instituídos (ou o próprio herói) as instrumentalizariam para fazer valer uma agenda mais obscura. A visão de Luthor era pessimista e realista, o que fazia sentido no ponto de vista que Zack Snyder queria fazer passar neste seu filme (para grande descontentamento de quase toda a gente que o viu - excepto eu, que sou um dos que adora o BvS).

Robert Kirkman começou a saga do seu herói Invincible há 14 anos. Achou (e bem) que era altura de colocar um ponto final nas aventuras de Mark Grayson, da família, dos amigos e dos inimigos. Mark é filho do Omni-Man, um análogo do Super-Homem que revela-se ser espião de uma raça alienígena conquistadora. Os 14 anos que se seguem exploraram a relação entre pai e filho, o caminho de herói do segundo e, não de pouca importância, o percurso desde adolescente, passando por pai de família e, finalmente, até chegar líder. O protagonista funcionou sempre como uma mistura entre o Homem de Aço da DC e o Homem-Aranha da Marvel, equilibrando as aventuras cósmicas com dramas quase telenovelescos. Esse equilíbrio foi conseguido de forma, na maior parte das vezes, entretida, muito violenta e recorrendo a um semi-realismo. Fã confesso do Savage Dragon de Erik Larsen, Kirkman bebia da estrutura narrativa usada pelo seu ídolo, com mudanças bruscas de eventos, em que a vida de qualquer personagem alterava-se de forma drástica com o simples virar de página. Nessa capacidade de evolução (que tanto prejudica, em última análise, a DC e a Marvel), os autores conseguiram reter o interesse dos leitores ao longo desta década e meia. Ultimamente, Kirkman parecia estar a ficar sem ideias, daí que ainda bem que as coisas chegaram ao final.

Nestes dois volumes, Kirkman e Ottley chegam ao último capítulo da história de Mark  - Ottley acompanhou o escritor desde o sétimo (dum total de 144), depois de substituir o desenhador original, Cory Walker. À semelhança de volumes anteriores, a estrutura e a ambição são simples: criar uma narrativa divertida e entretida baseada nos lugares-comuns da mitologia de super-heróis. Só por isso já é de louvar. Fecham com chave de ouro e colocam um laço bonito nas muitas linhas que teceram ao longo destes 14 anos. 

Desenganem-se se acreditam não existir algum tipo de inclinação autoral. Kirkman sempre imprimiu velocidade e intenção pop à sua história e, de forma que ainda não percebi se intencional, verteu um optimismo quase naif aos motivos de muitas das personagens, principalmente na forma como interpretava a intenção de alguns heróis, inclusive a de Mark Grayson nestes últimos volumes. As personagens de Kirkman de Invincible acreditam que o poder pode ser inocente. Mesmo que o seu comportamento e acções pareçam imperialistas e marginalmente ditatoriais, elas assumem-no de forma altruísta, cheia de boas intenções. O resultado acaba por ser uma paz duradoura e sustentável, mas realizada à custa de uma tangencial ditadura. Será esta parte do tal optimismo naif ou antes uma crença enraízada? (se calhar uma e outra). A bem ver, estamos a falar de um escritor dos EUA, um país onde uma percentagem aceitável da população acredita que são eles os detentores da verdade e do caminho correcto para a paz mundial (não incluo o poder político estado-unidense, esse bem realista e cheio de agendas).

Música à Quarta! Wednesday Music!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

Every week, every day and, who knows, every hour, there's a new LP, EP or Single out. I'm not a music geek, just a listener. I choose based on style, on artists I know, on what I heard on the radio, on Spotify's algorithms, and on friends' tastes and suggestions. I know I hear only a small part of what is out there.

On this Blog, every Wednesday, I put together a list of albums I heard during last week, and post it with links to Spotify. You can find the list below. I highlight in bold the albums I liked best.


Night Funeral de Faces on TV - 2018 (Indie Pop)
Future Vintage Instrumentals de MAYDAY! - 2018 (Electronica)
Solastalgia de Missy Higgins - 2018 (Indie Pop)
World's Strongest Man de Gaz Coombes - 2018 (Indie Rock)
Everywhere I Go de Cicada Rhythm - 2018 (Indie Pop)
Pick Up de DK Koze - 2018 (Electronica)
Lavender de Half Waif - 2018 (Indie Pop)
Goods/Gods de Hearts Hearts - 2018 (Indie Rock)
Love Club de Joel Sarakula - 2018 (Indie Rock)
Twentyseven de Lanks - 2018 (Electronica)
Nice to Meet You de Seeb - 2018 (Electronica)
Megaplex de We Are Scientists - 2018 (Indie Pop)

Álbuns para Sempre, 70

Existem músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. 

São nossas e dos outros. Como em nenhuma outra arte, a Música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque a ouvimos no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos Supertramp e ao LP Breakfast in America.


Uma BD aqui, outra BD ali, 17

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Avengers (2018) número 1 (ou 691) de Jason Aaron e Ed McGuiness (Marvel)

Jason Aaron tem construído a sua fama de forma calma e decidida. Deu-se a conhecer com o excelente Scalped da DC/Vertigo e foi invertendo para os super-heróis sem descurar a veia mais "independente". Na Marvel, continuou com uma inclinação que oscilava entre o humorístico soft de Wolverine & The X-Men, o másculo do Wolverine ou o divino cósmico do Thor. Este último abriu-lhe as portas do universo mais mainstream dos super-heróis da editora e, especificamente, o dos Vingadores, que estreia a escrever neste primeiro número de uma nova versão da revista da equipa.

Ed McGuiness é o desenhista que mistura influências mangá, cartoonescas e épicas e que tão bem lhe serviram no Deadpool, no Hulk ou no Super-Homem. É capaz de desenhar a "grandiloquência colossal" de forma divertida e entusiasmante, com um traço carnavalesco e hiperbólico tão bem adaptado à ópera cósmica que (também) são os super-heróis e, especificamente, os Vingadores da Marvel.

Ora, estes dois talentos começaram a trabalhar na mais famosa equipa da BD. O resultado só poderia ser o esperado: bom, muito bom. Escolhem seguir o caminho do cósmico e do divino, sendo diferente de outros autores como Bendis (que preferia os seus Vingadores mais terra-a-terra) e parecido ao de Jonathan Hickman. Por outro lado, não se esquecem que estão numa revista da Marvel, em que as personagens principais podem não dar-se particularmente  bem, como é ilustrado na conversa da trindade que são o Capitão América, o Thor e o Homem de Ferro. Estes são três amigos com marcadas diferenças de opinião (exacerbadas, é verdade, nos últimos 20 anos) e que, ainda assim, encontram suficientes pontos em comum para juntarem-se e enfrentar perigos e adversários cuja escala é impensável para a maior parte dos colegas de profissão. Sim, os Vingadores são a Liga da Justiça da Marvel.

Aaron e McGuiness conseguem, ao mesmo tempo, transmitir a enormidade da ameaça e a dinâmica entre as personalidades. O que poderia perder-se no cósmico incompreensível é antes alicerçado pela familiaridade de quem se parece connosco e com os nossos amigos. Esta capacidade é equilibrada pelos textos e diálogos do primeiro e pela destreza do desenho maior-que-a-vida-mas-cartoonesco do segundo. Nos dias de hoje, em que, infelizmente, o desenhista raramente consegue aguentar mais que seis números seguidos, há que aproveitar esta oportunidade e nos deliciarmos num espectáculo ainda maior que o que aparece nas salas de cinema.